quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Interpretação pessoal ou eclesial?

A própria Escritura em 2 Pedro 1,20 diz que nenhuma profecia da Escritura resulta de uma interpretação particular, ora pois, isso porque a interpretação é eclesial (da Igreja). Aqui derrubamos o princípio “solascriptura”. Concluí os estudos filosóficos e teológicos sou seminarista franciscano, acredito no ecumenismo como unidade dos cristãos em ações em prol da vida e solidariedade, não como mistura de crenças. Não há crença mais completa do que existe na Igreja Católica. Sou católico e tenho amizades com protestantes sinceros, abomino aqueles que superficializam a Igreja e Maria. Não consigo entender os cismáticos, hereges e apóstatas que: sem as mediações da tradição querem fazer uma interpretação correta das Escrituras, creio que isso é temerário e inválido (falível). Explico por quê.Como estudante de Teologia, fui além do pedido, aprofundei a séries dos pais da Igreja, tanto latinos como gregos, fiz uma síntese de todos os Concílios ecumênicos ou não da Igreja Católica, a síntese variou mais ou menos em cinqüenta concílios (segundo o Magistério eclesiástico), alguns deles com indicações sobre o conteúdo da fé. E agora vem alguns cristãos dos últimos tempos, oriundos de denominações que não possuem o depósito da fé (1 Timóteo 6,20), e querem interpretar corretamente um texto escriturístico, eles possuem condições para isso? A resposta é não.

Aqui vai mais uma pergunta. A quem Jesus Cristo mandou guardar e conservar íntegro o depósito da fé? Guardar o depósito da fé é a missão que o Senhor Jesus Cristo confiou à sua Igreja, e depois estes “cristãos” dizem que só Jesus basta, tenham dó. A Igreja Católica que guardou o depósito da fé pela missão apostólica e pastoral, só ela é capaz de fazer resplandecer a luz da verdade do Evangelho que conservou pela sua liturgia, só ela é a verdadeira Esposa de Cristo e tem condições de levar a todos os homens a procurarem e acolherem o amor de Cristo que excede toda a ciência. (cf. Ef. 3,19).Tudo o que a Igreja faz, o faz em nome da Trindade, ela brotou do lado aberto de Cristo crucificado e fortificou-se com o Pentecostes. Prefigurada no A.T. instituída nos tempos, manifestada na efusão do Espírito Santo é necessária para conduzir os eleitos e será consumada na glória, ela congrega desde Abel até o último eleito. A Igreja é perene fidelidade ao Espírito Santo que a conduz, desde os tempos de sua fundação sob a responsabilidade petrina, guardou e conservou o depósito da doutrina cristã, tudo o que a Igreja Católica é, ela demonstra pela sua beleza e profundidade espiritual que se expressa nas obras de arte e templos, assim como nos testemunhos dos mártires e santos, assim como na sua doutrina, tudo isso não é exercido a meio milênio, nem nos últimos séculos (denominações sem fundamento sólido), mas há mais de vinte séculos.Crer equivale a recordar a ação de Deus desde os antepassados e fundadores do povo. Crer, recordar e confessar: “Meu pai era um arameu errante...(Dt 26,5). No N.T., as coisas assumem dimensões específicas; pela sua própria natureza, a Igreja é comunidade transmissora e intérprete da Palavra de Cristo Jesus.

A pregação cristã primitiva, experimenta um processo que vai desde a expressão oral de Jesus Cristo, até os apóstolos, e destes, a muitos e diversos povos que a escutarão e que crerão com o coração (Rm 10,l14-17). Por isso, as cartas de Paulo estão repletas de expressões como: pregar, catequizar e transmitir, que supõe uma gradual e crescente recepção por parte dos destinatários: ouvir, crer e confessar. A revelação cristã não é senão a doação ou entrega da Palavra de Deus (Tradição e Escritura) à Igreja que a interpreta esta Palavra lançando luzes à realidade para que se concretize o Reino de Deus.Cristo entregue (traditus) aos homens é o evento constitutivo da revelação de Deus e ao mesmo tempo, o princípio da tradição. Por isso, ninguém dá o que não tem, uma igreja inventada nos últimos séculos carece de mediações apostólicas conservadas na Igreja Católica pela contínua sucessão. Estas comunidades, embora sejam eclesiais, não possuem em plenitude os meios necessários para interpretar corretamente as Escrituras. O que saiu da boca de Cristo ou o que foi inspirada pelo Espírito Santo aos apóstolos e seus sucessores nós católicos conservamos.Não creio que seja digna de crédito uma instituição que se diz cristã e não possui o cânon completo das Escrituras, ainda arriscam afirmar: “Só a letra” nem toda a letra possuem, foi o nacionalismo judeu de Jâmnia no segundo século depois de Cristo que eliminou o cânon completo usado pelos judeus da diáspora desde o segundo século antes de Cristo.


O que falta aos que se desviaram da tradição apostólica? O cânon completo, as mais preciosas doutrinas e atos celebrativos (ritos). Orientações biográfico-históricas, tais como a visita de Paulo à Tarragona ou a de Tiago à Galícia, o dia da Páscoa, os dogmas cristológicos e marilógicos. Sobre Maria, revelam estranheza ao que os pais da Igreja escreveram com convicção, a celebração litúrgica dos sacramentos, as profissões de fé, os costumes atribuídos a Igreja apostólica, o batismo de crianças antes do uso da razão (deles é o Reino dos céus), a celebração do Domingo em vez do Sábado, como dia de Páscoa semanal, é indicada na Escritura, mas realizadas pela própria vida da Igreja apostólica, a série dos pais da Igreja gregos e latinos, os mais de cinqüenta concílios, os relatos dos martírios e testemunhos de fé. A Igreja Católica em sua doutrina, vida e culto, perpetua e transmite a todas as gerações, tudo o que ela mesma é, tudo o que ela mesma crê (DV 8) Isso, também progride pela assistência do Espírito Santo, pela contemplação, pelo estudo, pela penetração sapiencial das coisas espirituais, pela pregação... tudo isso faz tender à plenitude da verdade divina de fé, o depósito que os que protestam não possuem, sem este seguro a Igreja Católica estaria ameaçada pela fabilidade e impossibilidade de renovar-se e santificar-se. Reconhecemos também a Igreja Ortodoxa pela contribuição que dá na conservação dos pais gregos, pois a Escritura é um texto para interpretar, só interpreta corretamente a comunidade de fé que possui o depósito ( 1 Timóteo 6,20). Mesmo que alguns digam que a sua interpretação não é sua, mas de seu pastor ou grupo religioso, a quebra da sucessão e a falta de mediações lhes tornam deficitários e falíveis pela falta de todas as mediações, ainda que possuem lanpejos de verdade, pois o Espírito Santo sopra onde quer. Mas a plenitude dos meios, temos que admitir, só na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.


Nesta Una e única Igreja de Deus, já desde os primórdios, surgiram algumas cisões, que o Apóstolo censura como gravemente condenáveis. Dissensões mais amplas nasceram nos séculos posteriores. Comunidades não pequenas separaram-se da plena comunhão com a Igreja católica, por vezes não sem culpa de homens de ambas as partes.As rupturas que ferem a unidade do Corpo de Cristo (distinguem-se a heresia, a apostasia e o cisma) não acontecem sem os pecados dos homens.O CIC cânon 751 diz: Chama-se heresia a negação pertinaz, após a recepção do batismo, de qualquer verdade que se deva crer com fé divina e católica, ou a dúvida pertinaz a respeito dela; apostasia, o repúdio total da fé cristã; cisma, a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos.“Onde estão os pecados, aí está a multiplicidade, aí o cisma, aí as heresias, aí as controvérsias. Onde, porém, a virtude, aí a unidade, aí a comunhão, em força da qual os crentes eram um só coração e uma só alma”. (Orígenes).Podem os ortodoxos, protestantes e evangélicos serem suprimidos dessa carga cismática? Sim, podem, portanto, desde que reconheçam que o cisma é um escândalo e que Deus quer a unidade dos cristãos, por isso, somos chamados a oração em comum, o conhecimento fraterno que evita condenações exageradas por pura ignorância da verdade e o sincero desejo de colaboração e serviço a todos os homens na mútua ajuda e oração comum.

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