quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Dando as razões da fé

Razões porque sou católico
O homem necessita receber o que precisamente lhe é o mais necessário, pois a razão quer ir até o extremo de si mesma. “Sem o sentido transcendente, o homem e a cultura são condenados ao absurdo e ao nada.” (H.C. de Lima Vaz). A nova esperança que nasce da fé na ressurreição de Jesus, o Crucificado, não nega a história – seja colocando a esperança só na vida pós-morte, fora da história, seja não reconhecendo os limites e as contradições da história –, mas cria um espaço de vida diante da opressão e morte. É uma esperança incompreensível para a racionalidade dominante, para a lógica do poder, mas não é uma esperança irracional, tem uma “racionalidade”, uma razão de ser, por isso devemos “dar a razão da nossa esperança” (1Pe 3,15). A nossa esperança e o nosso testemunho não podem ser fundadas na fé em Deus-poder ou na divinização de alguma pessoa, grupo social ou instituição. O Evangelho de Jesus nos propõe um Deus que se esvazia do seu poder divino para entrar na história como escravo, e como escravo se assemelhar ao humano (Fl 2,6-7). Ainda hoje soa escandaloso pedir a alguém que coloque a sua esperança em um Deus que se esvaziou do seu poder divino. Mas é essa fé e essa esperança que nascem da experiência de ver o Jesus ressuscitado. O evangelho de Marcos nos diz que a grande preocupação das mulheres no caminho do túmulo de Jesus era “quem rolará a pedra da entrada do túmulo para nós?” (Mc 16,3). Elas não tinham nenhuma esperança ou expectativa da ressurreição de Jesus. Foram lá somente por amor ao seu mestre, amor que não liga para a “contabilidade” das vitórias e fracassos e que não se deixa paralisar pela frustração dos desejos. Porque as mulheres amaram muito e perseveraram nesse amor apesar de tudo, elas viram Jesus ressuscitado e uma nova esperança nasceu na comunidade cristã. Elucido aqui alguns fundamentos da fé cristã, mas na consciência de que: A ‘revelação divina’ não é um depósito de informações corretas, mas sim um processo pedagógico verdadeiro.

1º A Igreja católica tem como fundador o próprio Jesus Cristo (Mt 16,18-19); e é governada segundo a forma bíblica: bispos (Atos 20,28, Fl 1,1, Tt 1,8), presbíteros = anciãos (Atos 15,2-6, 21,18; 1 Pdr 5,1) e diáconos (Atos 6,1-6). Ou seja, há uma autoridade com a sucessão apostólica (Mt 18,18; Jo 21,15-17); 2º A Igreja católica foi confirmada por Deus e inaugurada para o mundo com a vinda do Espírito Santo em Pentecostes (Atos 2) e segue as advertências bíblicas contra divisões, cismas e sectarismos (Mt 12,25; 16,18; Atos 4,32); Ela acredita na Santíssima Trindade, pois a Bíblia que diz que Javé é o Senhor (Det. 6,4), Jesus é o Senhor (Mat 21,2) e o Espírito Santo que é uma Pessoa (Atos 15,28) também é o Senhor (2 Cor 3,17). Segue os concílios que afirmam que Jesus sempre foi Deus com o Pai e o Espírito Santo, não comete heresias como alguns que afirmam que Jesus foi um anjo que se tornou um deus pequeno (Arcanjo Miguel). Se Jesus é um arcanjo e não Deus verdadeiro, ainda não fomos redimidos e Cristo não morreu para nos salvar, pois só Deus salva.

3º A Igreja católica está fundamentada na autoridade da Bíblia (Hbr 4,12-13; 2 Tm 3,16-17); da Tradição com a única mensagem de Cristo (2 Ts 2,15) e do Magistério (palavra do papa e dos bispos unidos a ele – Mt 16,19; Lc 10,16). Ela é coluna e sustentáculo da verdade ( 1 Tm 3,15). É desviar-se desta verdade crer na reencarnação e não na Ressurreição. Pois, a reencarnação é incompatível com a ressurreição, uma vez aceita a reencarnação exclui as principais doutrinas do cristianismo. Não há lugar na doutrina espírita a mais importante mensagem da Bíblia – Jesus “veio buscar e salvar o perdido” (Lc 19,10). Não se conta a expiação de nossos pecados mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas (Hebreus 10,10). Não é necessário confessar pecados, pois não há perdão: Cristo não é a propiciação pelos nossos pecados ( 1 Jo 1,9; 2,2)? Paulo estava errado quando declarou: “Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus: não de obras, para que ninguém se glorie”. (Ef 2,8-9). Para os espíritas não há salvos e perdidos, o juízo final é algo simbólico. Paulo por acaso não ensinou: “Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção” (1 Cor 15,42)?

4º A Igreja católica conservou a Bíblia com todos os livros do Antigo Testamento (46 livros), conforme o uso dos primeiros cristãos e confirmado pelos Concílios. E, quanto ao Novo Testamento, inspirada por Deus, estabeleceu os 27 livros. Não eliminou livros como fizeram os judeus nacionalista de Jâmnia no 2º século, Lutero e os reformadores (1517). Lutero eliminou o livro de Tiago, depois os seus seguidores voltaram atrás. Os 73 livros da Bíblia são suficientes para sabermos tudo o que necessitamos para a nossa salvação. O AT prepara a vinda de Cristo e o NT narra o que foi fundamental sabermos, o que foi normal não ocupa-se em narrar, por exemplo, a vida de Jesus Cristo dos doze anos até os trinta anos foi dedicada a família e ao trabalho, sem novidades que seriam necessárias sabermos. O que necessitamos saber e o que nos instrui sobre nossa salvação é verdade e sem erro, quanto a outros temas históricos e geográficos há erros humanos;

5º A Igreja católica tem os sete sinais da graça de Deus: os sacramentos. O Batismo (Mt 28,29), Batiza também crianças porque a Bíblia fala que todos precisam “renascer”, pela água e pelo Espírito, para entrar no Reino dos céus (Jo3,5). No batismo cristão, o que importa é nascer do Espírito Santo, afirma Jesus (Jo 3,6-8). Quem crer e for batizado será salvo (Mc 16,16). O batismo é a porta de entrada na comunidade cristã e novo nascimento (1 Cor. 12,13). Clemente de Roma em 96 d.C, conviveu com os apóstolos e afirma que batizar crianças é tradição apostólica: “Depois que recebeu o batismo, ela e sua casa”. ( Atos 16,15), certamente também as crianças, pois delas é o Reino dos Céus. Muitos dos cristãos dos últimos séculos negaram o batismo infantil, ao contrário da Tradição Cristã e da Bíblia (At 2, 37-39; 16,15; 16, 33; 18,8) (1Cor 1,16) (Cl 2,11-12). Crisma (Atos 8,18), Eucaristia (Mt 26,26-29), Reconciliação ou confissão (Jo 20,23), Matrimônio (19,3-9), Unção dos enfermos (Tg 5,13-15), e a Ordem (instituído por Jesus durante a última ceia, quando disse para fazerem isso em memória dele (Lc 22,19). Rejeitaram a doutrina das indulgências que são simplesmente o perdão do castigo temporal para pecado (penitência), pela Igreja (aqui na terra, Mt 16,19; 18,18, e Jo 20,23);

6º A Igreja católica crê na presença real de Jesus na Eucaristia (Jo 6,51.53-56). Eucaristia é Jesus e não mero simbolismo. Orientava a Didaqué, uma das fontes mais antigas da catequese cristã, foi escrita entre os anos 90 e 100 dC: “Reuni-vos no dia do Senhor para a fração do pão e agradecei....” A Igreja católica não faz restrições alimentares porque Jesus declarou puros todos os alimentos (Mc 7,14-23; Atos 10,9-16), e até bebia vinho (Lc 7,34; Jo 2,1; 1 Tm 5,23). Não é o que entra no homem que o torna impuro, mas o que sai do seu coração. O Levítico, livro cristão, não seria melhor dizer que é um livro abolido por Cristo? Todos os sacrifícios reduzidos a um (o sacrifício de Cristo adquire seu valor supremo, ele se oferece totalmente a si mesmo em ato de fidelidade ao Pai e de amor aos homens, por isso morreu para nos salvar), todas as distinções de animais puros e impuros envolvidas pelo dinamismo de Cristo, que tudo assume e santifica. A partir da plenitude e simplicidade libertadora de Cristo, o Levítico se nos mostra como catálogo de prescrições jurídicas abolidas, não recaiamos nelas. Cristo concentra, na sua pessoa e obra, o substancial e permanente das velhas cerimônias; estas, por sua vez, explanam e explicitam diversos aspectos da obra de Cristo. O Levítico revela a pedagogia paterna de Deus, compreensiva e paciente que canaliza a religiosidade do seu povo, mas ao mesmo tempo envia a palavra profética para criticar o formalismo, a rotina, o ritualismo, que são perigosos inerentes a toda prática religiosa. Critica-se a prática das procissões Católicas. Isso não é ir contra a Igreja primitiva e a Bíblia (Js 3, 5-6) ( Nm 10, 33-34) ( Js 6,4) (Js 3, 14-16) (Ex 25, 18-21) (Js 4, 4-5) (Js 4, 15-18)?

7º A Igreja católica professa quatro verdades fundamentais sobre Maria: ela é a mãe de Deus (Lc 1,43); permaneceu virgem antes, durante e depois de dar a luz ao Filho de Deus (Mt 1,16.18); em vista do seu divino Filho foi concebida sem pecado (Imaculada Conceição) (Lc1,28); terminado o seu tempo na terra foi elevada ao céu em corpo e alma (Assunção) (Ap 12,1-14). Um cristianismo sem Maria é empobrecido de um dado bíblico-dogmático precioso e renuncia, talvez, àquela “via de beleza” que, na humildade de um fragmento tão densamente humano, saber reconhecer a totalidade do milagre e as grandes coisas que o Onipotente fez em sua serva para falar a todos os que a chamarão bem-venturada” (Bruno Forte). Há uma diferença consubstancial entre veneração e adoração. Nós católicos veneramos Maria, Mãe de Jesus, porque a Bíblia chama Maria de “cheia de graça” (Lc 1,28); Mãe do “Filho do Altíssimo”(Lc 1,31); Mãe do Salvador (Mt 1,21); Mãe de Deus no meio de nós (Emanuel) (Mt 1,23); Mãe do “Filho de Deus”(Lc 1, 35); etc; Lc 1, 48-49; Gn 3,15; Is 7,14; Gl 4,4; Hb 1,2; Jo 19,26...Maria é a primeira discípula, foi a primeira a contemplar o rosto de Cristo, com olhar penetrante e capaz de ler no íntimo de Jesus, a ponto de perceber os seus sentimentos escondidos e adivinhar suas decisões, como em Caná (Jo 2,5). Somos convidados a rezar sem cessar ( 1 Tes. 5,17), por isso usamos o rosário. Os "evangélicos" afirmam a existência de outros filhos de Maria. A verdade é que para os conceitos orientais tradicionais, não se define a família como pequeno núcleo "pai-mãe-filhos", como conhecemos hoje, mas num amplo leque no qual se incluem tanto os parentes próximos como os distantes. No aramaico falado, usado por Jesus e seu povo, não havia uma diferenciação nos conceitos de parentesco (primo, tio, tia, irmão, sobrinho, etc...). A palavra que exprimia e englobava todo este parentesco era "irmãos", que os gregos traduziram por "adelfos". Assim, quando ouvimos falar que "tua mãe e teus irmãos estão lá fora..."
significa que Maria e os parentes de Jesus queriam protegê-lo um pouco da multidão. Não podemos confundir: "irmãos" de Jesus significa "parentes próximos" dele. Tiago e Joset, chamados de "irmãos de Jesus" são considerados, dentro desta lógica explicativa, de "parentes próximos" de Jesus e não "irmãos carnais" dele. Se assim não fosse, qual seria a necessidade de Jesus, no alto da cruz, entregar a João, o discípulo a quem amava, os cuidados de Maria quando disse: " Filho, eis aí a tua mãe" (Jo 19,27)? Não seria mais comum, Tiago e José, se fossem realmente filhos carnais de Maria, tomar conta de sua "mãe" após a morte do "irmão" Jesus? Os irmãos de Jesus que os evangélicos apontam sempre possuem outros pais, é só conferir quem eles dizem ser os tais filhos de Maria e José.

8º A Igreja católica ensina que adoração só a Deus cabe. A Virgem Maria os outros santos e imagens se veneram (a imagem sempre se refere a outro, veneração é respeito, amor, imitação), imagens sacras não são ídolos. Uma imagem não se identifica com a realidade, faz referências. Idolatria também é o conceito errado de Deus que se impõe ao povo, reduzindo Deus a um pobre curandeiro a serviço de alguns homens que Dele fazem seu servo, um servo de interesses imediatos e humanos. Quem venera uma imagem, venera nela a pessoa que nela está pintada. No Antigo Testamento era proibido a imagem de Javé, por ser Javé um Deus que não se vê e, por isso, não pode ser representado, mas o próprio Deus manda fazer querubins para a arca. No Novo Testamento, Deus se encarna e Cristo é a imagem do Deus invisível (Cl 1,15). A santidade é capaz de transfigurar a natureza, atacar as imagens é negar a encarnação do Verbo. Quem confunde mentalmente e na prática imagens de Deus verdadeiro e dos santos que viveram a fé, com imagens de ídolos, ou de coisas proibidas pela Bíblia para serem adoradas, não tem condição nenhuma para pregar a Palavra de Deus ou a Bíblia de uma forma correta e objetiva. Pois, não distinguindo imagens de ídolos, colocando tudo dentro do mesmo saco, poderá distinguir outras coisas?

9º A Igreja católica crê na doutrina bíblica do céu ( 1Cor 2,9; Ap 21,3-4), inferno (Mc 9,43-44) purgatório e no valor da oração pelos mortos ( 2Mc 12,39-45; 1 Cor 3,11-15; Tb 12,12; 1Cor 15,29; 2Tm 1,16-18); Pois, os justos não ficam na morte, estão guardados em Deus ( Cl 3,3), por isso, a intercessão da Virgem Maria e dos santos, está conforme o testemunho apresentado pela própria Escritura ( Gn 18,23-31; Ex 32,11-14; Rom 1,9; Tg 5,16). Crê na existência dos anjos, e também na eficácia do seu auxílio (Ex 23,20-23; Tb 3,25; Sl 90,11);

10º A Igreja católica tem consciência de que o sábado foi uma instituição mosaica temporária dada aos judeus, ab-rogada por Cristo e, em conseqüência, não mais vigente hoje. Por causa da vida, morte e ressurreição de Jesus, as festas do A.T. já estão cumpridas, e continuar observando-as significa ainda estar na Antiga Aliança. Os cristãos adotaram a observância do domingo, não como uma continuação do sábado bíblico (libertação do Egito), mas como uma nova instituição estabelecida pela igreja primitiva para celebrar a ressurreição por meio da celebração da Santa Ceia. Não se trata de uma mudança do sábado para o Domingo (libertação do pecado e da morte), não foi meramente uma alteração de nomes ou números, mas uma mudança de significado, autoridade e experiência. Não há obrigatoriedade de guardar o Sábado na Nova Aliança: “Portanto, ninguém vos condene por questões de comida ou bebida, a respeito de uma festa, de uma lua nova ou de sábados. Tudo isso não passa de sombra do que devia vir, mas a realidade provém de Cristo. ( Colossenses 2, 16-17; Oséias 2, 13). Vale mais um Domingo do que todos os sábados sem ressurreição, sem libertação da morte. “A Lei e os Profetas vão até João...”(Lc 16,16 e Mt. 11,13). Em outras palavras, por causa da vida, morte e ressurreição de Jesus, as festas do A.T. já estão cumpridas, e continuar observando-as significa ainda estar na Antiga Aliança, como se Cristo não tivesse vindo. Portanto, o que vemos no Novo Testamento é que todos os Mandamentos são mantidos, menos o que diz respeito ao sábado. Mais de cem referências são feitas a nove dos Mandamentos, e nenhuma sobre o sábado. É preciso entender que o sábado, como dia santificado, foi um sinal entre Israel e Deus. Foi uma obrigação restrita aos judeus. A vinda do Espírito Santo, em Pentecostes (50º dia após a Páscoa, era o domingo, cf. Atos 2,1ss). Neste dia foi inaugurada a Igreja para o mundo. Portanto, fica claro que é um dia confirmado por Deus, dia da Igreja.

Existem textos bíblicos que nos mostram como eram as reuniões dos primeiros cristãos. Por exemplo em Atos 20,7: "No primeiro dia da semana estando nós reunidos para partir o pão..." (partir o pão é um dos nomes dados à Ceia do Senhor). 1Cor 16,2: "No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha à parte o que tiver podido poupar, para que não esperem a minha chegada, para fazer as coletas". Os escritos de Santo Inácio de Antioquia, Bispo de Antioquia, que escreveu por volta do ano 100, portanto bem próximo do início da Igreja. Carta aos Magnésios Cap. 9,1: "Assim os que andarem na velha ordem das coisas chegaram à novidade da esperança, não mais observando o sábado, mas vivendo segundo o DIA DO SENHOR". Primeiro citamos este texto para perceber que o DIA DO SENHOR não era o sábado. Um dos primeiros resumos da doutrina Cristã, chamado Didaqué (doutrina dos doze apóstolos), que é anterior ao próprio escrito de Sto. Inácio (portanto mais antigo), afirma: "Reunidos no DIA DO SENHOR, parti o pão e dai graças, depois de terdes confessado os vossos pecados, a fim de que o vosso sacrifício seja puro". Sem dúvidas o Sábado constitui o coração da lei de Israel. Mas para nós nasceu um dia novo: o dia da Ressurreição de Cristo. O sétimo dia encerra a primeira criação. O oitavo dia dá início à nova criação. Assim, a obra da criação culmina na obra maior da redenção. A primeira criação encontrão seu sentido e o seu ponto culminante na nova criação em Cristo, cujo esplendor ultrapassa o da primeira. (cf, MR, Vigília pascal: oração após a primeira leitura).

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