quinta-feira, 27 de novembro de 2008

A comunhão dos santos

A evocação dos espíritos foi por diversas vezes condenada pela Igreja Católica, como pela Escritura, pois é uma forma de manipulação e de exploração, uma violação da alteridade. Portanto trai uma vontade de domínio do sagrado e se torna uma violentação da alteridade sagrada dos mortos.No entanto, a incocação e a intercessão estão fortemente enraizadas na tradição cristã e consagradas pelo culto. Aqui vale de modo particular o princípio "Lex orandi, lex credendi". Contra os purismos, sobretudo contra a tendência protestante de negar mediação aos santos por uma compreensão reducionista e excludente da mediação de Cristo, a Igreja Católica renovou sua profissão de fé na única intercessão e mediação de Cristo, mas ela mesma participada pelos santos. Isso se fundamenta na experiência eclesial da comunhão dos santos.A redução da escatologia a um evento individual e a cultura moderna do indivíduo deformaram a sensibilidade pela comunhão dos santos. E nesse ponto, como em outros, o esquecimento favorece o reaparecimento em forma de heresia. A verdade e a vivência da comunhão dos santos pode corrigir as especulações espiritualistas sem cometer injustiças aos mortos. Pelo contrário, é uma forma profunda de comunicação e de consolação.
Fonte bíblica
Na Escritura, cada indivíduo é visto como membro de um povo, de um corpo. Não se trata de uma grosseira visão coletivista que seria fruto de um estágio ainda tribal. Até porque a experiência tribal pode conter verdade humana que se perdeu com o individualismo moderno. A incorporação em uma comunidade, que foi chamada de "personalidade corporativa" ou, ultimamente, de "Pessoa comunitária" ligada à experiência do Espírito que é a Pessoa que faz de muitas pessoas uma Pessoa comunitária, é um dos elementos mais originais também do Novo Testamento. Os autores do Novo Testamento, sobretudo São Paulo, são conhecedores da sabedoria religiosa grega, e sabem da salvação da alma individual que domina a espiritualidade de cunho mistério e gnóstico. E no entanto insistem exatamente na diferença da forma de salvação cristã: a salvação corporal e corporativa, em que a comunidade é ao mesmo tempo sujeito e conteúdo escatológico: a comunidade é quem salva (sujeito). E a comunidade é que é salva (conteúdo).No AT, a promessa e a esperança pertencem a um povo, ainda quando é de caráter intra-histórico. Após o exílio, até mesmo a ressurreição é sempre ressurreição de um povo. No NT, esta ligação é ainda mais evidente a comunidade eclesial - assembléia eleita, convocada - é a comunidade escatológica que nasce do evento cristológico, da pácoa de Cristo.
Já e ainda-não
À diferença do êxodo do AT e do Judaísmo, que caminhava em direção a uma salvação "futura", a comunidade cristã já experimenta as primícias antecipadas da salvação. Por isso, pode dede já ser sacramento, sinal e primícia, do Reino de Deus, que, no entanto, permanece escatológico.A Igreja vive uma tensão aberta à escatologia. Não é uma "sociedade perfeita", pois isso a imobilizaria e a identificaria indebitamente com o Reino de Deus. "A Igreja peregrina leva consigo- nos seus sacramentos e nas sua instituições - a figura deste mundo que passa e ela mesma vive entre as criaturas que gemem e sofrem como em dores de parto até o presente e aguardam a manifestação dos filhos de Deus. A plenitude da Igreja coincidirá com sua superação sacramental e institucional, como superação em direção à comunhão imediata, sem necessidade de sinais sacramentais, de todas as criaturas e dos filhos de Deus, a comunhão dos santos. Por ora, ela é sacramento e primícia da comunhão dos santos.Daqui decorre o critério da salvação como inserção na comunidade de salvação, na comunhão dos santos. Isso não anula a unicidade do indivíduo e da salvação individual, mas indica a direção e a forma de salvação individual: na comunhão, na comunidade. E a comunidade terrena dá condições de entender a salvação em sua integralidade, de alma e corpo. Como sinal sacramental e como realidade corporal, a comunidade eclesial que peregrina nesta terra tem a estrutura da comunhão dos santos onde cada indivíduo é integrado à salvação.Por, isso, não me venham com essa de que ninguém precisa de Igreja. Fora dela não há salvação no sentido de que Deus salva um povo, o povo de Deus.


Invocação, intercessão, consolação
A veneraçao e a intercessão não diminuem mas aumentam a adoração devida só a Deus e a medição única de Cristo. A invocação conserva a gratuidade da amizade e respeita os desígnios de Deus sem precisar violar com "evocação do espírito". Mas toda comunhão exige veneração e invocação. Finalmente, é fonte de imitação e de engajamento histórico: os que já chegaram à meta escatológica não ficaram atrás de nós na nostalgia que paralisa a história, mas estão à nossa frente, dando ainda sua contribuição à história ao se integrarem à mediação de intercessão de Cristo, e, portanto, "reinado" na história com Cristo, prestando serviço ao nosso caminho até também nos juntarmos a eles. Pois por ora nós fazemos falta à plenitude escatológica da comunhão dos santos.Consolação é a palavra que resume bem a comunhão dos santos: ninguém caminha sozinho, ninguém se salva sozinho, e nem é sozinho que se vive a vbem-aventurança.
Santos
Os mortos terminaram seu percurso terreno. Estão "além". Como nos relacionamos com eles? Da mesma forma como nos relacionamos com Deus, com Cristo: sofremos por não tê-los face-a-face, e, no entanto, a ausência de localização corporal os torna sempre presente a nós, a distância faz vê-los com mais objeitividade e sobretudo com mais afeto: o amor aos mortos que foram amados não desaparece mas é conservado e purificado para a comunhão. POde inclusive amadurecer depois da morte. Em conclusão, é o amor que estende a comunhão dos santos debordando fronteiras inclusive da morte. Enquanto estamos peregrinando pela história terrena, os laços da cmunhão dos santos também peregrinam na esperança e no amadurecimento.Enfim, a intercessão supõe a mútua ajuda, que também não é interrompida com a morte.Bin, não estou dialogando aqui, propriamente a mediação, se bem que deixo claro que ela é única, mas não exclusiva, se não fosse assim, Jesus não escolheria apóstolos. O que quero que comenentes é se acreditas ou não na comunhão dos santos.

Nota: As imagens são retiradas da página do google/imagens com a intenção de evangelização e não para fins lucrativos. Caso alguma delas seja de direito autoral, e seja necessário permissão, favor comunicar o responsável do Blog para devidas providências.

Nenhum comentário: