quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Alguém alterou os dez mandamentos?

Os dez mandamentos ou decálogo (deca: dez, logos: palavra) são, conforme a doutrina Católica e as Escrituras, as obrigações religiosas e morais mais fundamentais do homem para com seu Criador e para com o próximo; foram primeiro revelados a Moisés no Monte Sinai, esculpidas em pedra, para mostrar que a lei de Deus não passa.Há duas passagens do Antigo Testamento com a lei: Êxodo XX e Deuteronômio V; nestas duas passagens, a ordem dos mandamentos é basicamente a mesma, porém não há NUMERAÇÃO. Não está escrito: Primeiro Mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas; Segundo Mandamento: não tomar seu nome em vão, etc...Os protestantes não fazem menção ao primeiro mandamento! A explicação para isso é simples: se tomarmos literalmente os textos acima, o primeiro mandamento é: "Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão". E aí o mandamento fica num formato diferente de todos os demais, onde não há OBRIGAÇÃO, NÃO há propriamente MANDAMENTO, para confusão dos protestantes!Em todos os outros, Deus MANDA, usando o IMPERATIVO: "não tomarás o nome do Senhor em vão...", trabalharás sete dias e descansarás no sábado...", etc.Que nesta primeira frase Deus se revela como o Senhor do povo judeu é uma verdade sublime, inquestionável, mas Deus, aqui, não está impondo ao seu povo nenhuma obrigação, e a obrigação é propriamente a essência do Mandamento.Assim, a Igreja, sabiamente (com Santo Agostinho) condensou em um Mandamento o sentido das duas primeiras frases, que na verdade estão detalhando a obrigação maior do homem para com Deus: que o homem não tenha diante de si e não preste culto a ninguém senão ao verdadeiro Deus. Amarás ao Senhor teu Deus sobre todas as coisas!Além do mais, como lhe falei na primeira mensagem, Cristo dá, no Evangelho, parte dos Mandamentos em outra sequência, numa passagem (S.Mateus, XIX, 18-19), e complementa com os demais mandamentos em outra passagem (Mateus, XXII, 37-39);

Na primeira passagem, Cristo está respondendo exatamente ao moço rico, que pergunta QUAIS MANDAMENTOS deveria seguir. E Cristo diz: "não cometerás homicídio (quinto); não adulterarás (sexto); não cometerás furto (sétimo); não dirás falso testemunho (oitavo); honra ao teu pai e tua mãe (quarto), e amarás ao teu próximo como a ti mesmo (o novo mandamento, que encerra os anteriores)". Nenhuma palavra aos três primeiros (e mais importantes, em relação a Deus!); e além disso, UM NOVO MANDAMENTO, tirado de Levítico XIX, 18: amar ao próximo como a si mesmo.Na segunda passagem, Cristo responde àqueles que querem saber qual o primeiro e máximo mandamento: "Amarás ao Senhor teu Deus de todo coração, e de toda a tua alma e com todo o teu entendimento. Este é o máximo e o primeiro mandamento. E o segundo semelhante a este é: Amarás a teu próximo como a ti mesmo". E este segundo NÃO está literalmente no decálogo de Moisés.

E no episódio do doutor da lei que, procurando tentar a Cristo, vemos a confirmação desta passagem: à pergunta sobre como possuir a vida eterna, Cristo responde com outra pergunta: "O que está escrito na lei? Como lês tu?" E o doutor da lei acaba dizendo as seguintes palavras: "Amarás o senhor teu Deus de todo coração e com toda a tua alma, e com todas as tuas forças, e com todo o teu entendimento, e o teu próximo como a ti mesmo." (S. Lucas X, 25-28), e Jesus elogia o doutor da lei, porque dissera bem.Onde está o (assim chamado) segundo mandamento do protestante? Cristo o incorporou ao primeiro! Amar o senhor Deus de todo coração e com toda a alma, e com todas as forças, e com todo o entendimento, eis o MAIOR MANDAMENTO!Portanto, os Dez Mandamentos foram sintetizados na Nova Lei, por Cristo mesmo, em apenas dois, que encerram e resumem todos os demais. Amar a Deus implica evidentemente não adorar falsos deuses, não tomar o seu Santo nome em vão, e a guardar um dia da semana para reconhecer a Deus soberano, prestando-lhe culto. Amar ao próximo como a si mesmo implica nos demais sete.O problema dos protestantes é com as imagens, que já debatemos longamente e mostramos como Deus as permitiu, com finalidade devocional e artística, vedando, porém, sua adoração. Veja Número XXI, 8-9 (Serpente de Bronze), III Reis VI, 23, 28-29 (querubins, leões, bois, etc), entre outros que mostram que Deus mandava fazer imagens, e que permitia que se fizessem, com as finalidades descritas acima.E os mandamentos na divisão que conhecemos, não foram feitos para que os católicos escondessem a proibição das imagens, ao contá-los de forma diferente; quem apresentou pela primeira vez os mandamentos com essa forma foi Santo Agostinho, baseando-se no texto hebraico, na obra: "Quæstionum in Heptateuchum libri VII, Bk. II, Question lxxi", (conforme nos ensina o catecismo romano) sendo aceito por toda a cristandade a partir de então.
Curioso, é que mesmo os Luteranos ACEITAM essa divisão (menos os seguidores de Bucer); como cada protestante tem uma interpretação própria e única, mais cedo ou mais tarde alguns decidiram se rebelar também contra isso; pelo teor da resposta de seu oponente, ele parece ser Adventista, pois reclama do Sábado também (terceiro mandamento), cada protestante tem uma interpretação diferente, por causa do absurdo livre exame, e no fim dizem que são inspirados pelo mesmo Espírito Santo...A Igreja não alterou portanto os mandamentos, mas seguiu sapientíssimamente a divisão do Bispo de Hipona, que compilou o espírito da lei, obedecendo a nova forma dada por Cristo, nos Evangelhos.

E o protestante diz ainda as seguintes inverdades (que vou respondendo na seqüência de cada uma); "Não satisfeita com isto, (a Igreja) alterou completamente o quarto Mandamento, que na Bíblia no original em hebraico diz: "Lembra-te do dia de >sábado, para o santificar...", este foi modificado pela Igreja Católica >para "guardar domingos e festas".Ora, conforme respondemos já a outros adventistas, a palavra sábado significa descanso, e que o próprio Cristo colheu espigas no sábado com seus Apóstolos, para mostrar que o dia consagrado ao Novo e Eterno Testamento seria o Domingo, dia em que Cristo ressucitou, motivo de alegria maior para os Católicos; E porque a Igreja também coloca nas festas? Veja em Levítico XXIII, 36, que na festa da Expiação Deus também reserva um dia ao descanso, e curiosamente, não é o sétimo, mas o oitavo: "E durante sete dias oferecereis holocaustos ao Senhor; o dia OITAVO será também soleníssimo e santíssimo, e oferecereis um holocausto ao Senhor, PORQUE É DIA DE AJUNTAMENTO E ASSEMBLÉIA; NÃO FAREIS NELE OBRA ALGUMA SERVIL.".Aliás, todo o trecho que vai do versículo 23 até o final do capítulo (XXIII), mostra que o dia santificado é ora o primeiro, ora o oitavo, mostrando que o espírito da lei (descanso e santificação) não se prende ao nome do dia (sábado).
SOFISMA AINDA UM PROTESTANTE: > "Não parou por aí, criou ainda mais cinco mandamentos paralelos (não >criados por Deus e não presentes na Bíblia no original em hebraico), >chamados de "Mandamentos da Igreja": 1- Ouvir a Missa inteira aos domingos >e festas de guarda; 2- Confessar-se ao menos, uma vez cada ano; 3 - >Comungar ao menos, pela Páscoa da Ressusreição; 4 - Jejuar e abster-se de >carne, quando manda a santa madre Igreja; 5 - Pagar os dízimos, segundo >costume. (Doutrina Católica, Edições Loyola, página 100)."Baseada nos ensinamentos de Cristo (Mandamentos e Sacramentos), a Igreja então definiu mais cinco preceitos, visando que o católico pudesse ter uma referência para que, cumprindo minimamente as recomendações de Cristo, pudesse progredir na vida espiritual.A Igreja, sendo a única esposa de Cristo, e tendo recebido o depósito da fé integral do mesmo Cristo, tem o direito de definir normas para que os católicos se aproximem dos sacramentos, obedeçam a lei e pratiquem a virtude.De novo nenhum acréscimo, nenhuma mudança, somente a aplicação prática da lei visando a salvação da almas.PROTESTA DELIRANTEMENTE O PROTESTANTE: > "Apesar disso, em algumas edições da Bíblia Católica como: Loyola, >Ave-Maria, Paulinas, você ainda poderá observar que os Dez Mandamentos >estão intactos, como no original hebraico, e sem estas modificações, e com >o segundo mandamento presente.>Eis o Segundo Mandamento que você não citou na sua resposta: "Não farás >para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos >céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as >adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor teu Deus..." (Êxodo >20:4-5).
>Por que será que a Igreja Católica suprimiu justamente este mandamento das >suas principais edições da Bíblia Católica e deu um jeitinho nos demais >para torná-los em dez e assim jeitosamente enganar aqueles que se deixam >enganar?"E aí, contraditoriamente, o protestante diz que a Igreja suprimiu o mandamento da Bíblia (não cita qual), e diz igualmente que em algumas edições da Bíblia Católica, os mandamentos estão todos lá. A própria contradição mostra que a afirmação é falsa, pois as Escrituras foram conservadas pela Igreja, que não alterou nem suprimiu nada. O não adorar falsos deuses está na Bíblia, e os católicos obedecem fielmente este preceito, que faz parte do Primeiro Mandamento: "Amar a Deus sobre todas as coisas."Só para ilustrar, escrevo no dia 10 de Julho, em que comemoramos a memória dos sete irmãos mártires, filhos da nobre romana Felicidade, que recusando-se a cultuar os falsos deuses, foram mortos na perseguição do imperador romano Marco Aurélio. Como pode a Igreja ter suprimido o preceito contra a idolatria, se até hoje comemora os milhares de cristãos mortos nas perseguições romanas, por não abandonarem a fé e não cederem à mesma idolatria?Para finalizar, é interessante notar que os protestantes reclamam infundadamente da ordem dos Mandamentos, mas desprezam sua prática....principalmente a do Oitavo Mandamento (não mentir); Isso é porque se prendem à letra, que mata, como diz São Paulo: "Deus nos fez idôneos ministros do Novo Testamento, não pela letra, mas pelo espírito, porque a letra mata, mas o espírito vivifica" (II Cor. III, 6).

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